Resenha: Para Sempre, livro de Kim e Krickitt Carpenter

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 Para Sempre, de Kim e Krickitt Carpenter
Editora Novo Conceito

Nota no Skoob: 3,7/5 (http://migre.me/oyqyM) 
Nota no Orelha de Livro: 4/5 (http://migre.me/oyqHZ)
MINHA Nota: 8,5/10
Gênero: Romance/Drama (e autobiografia)

[...]
- Krickitt, quem é seu marido?
Krickitt olhou para mim novamente, e voltou a olhar para o terapeuta. Eu tinha certeza de que todos podiam ouvir meu coração batendo enquanto eu esperava, em meio ao silêncio e ao desespero, pela resposta da minha esposa.
- Não sou casada.
“Não! Meu Deus! Por favor!”
O terapeuta tentou mais uma vez – Não, Krickitt, você é casada. Quem é seu marido?
Ela franziu a testa. – Todd? – perguntou ela.
“Aquele ex-namorado que vive na Califórnia? Deus, ajude-a a se lembrar!”
- Krickitt, por favor, pense com calma. Quem é o seu marido?
- Eu lhe disse. Não sou casada.”

Pelas palavras do prefácio já sentimos o quão emocionante é Para Sempre. Mas vamos explicar um pouco melhor.

Há alguns anos assisti ao filme Para Sempre, The Vow, no original. Um lindo filme estrelado por Rachel McAdams (Page) e Channing Tatum (Leo) que conta a história de um casal de jovens recém-casados, muitíssimo apaixonados, que lutaram muito para estarem juntos. Tudo era maravilhoso, até que um acidente muda todo curso da história. Page entra em coma. Quando ela despertou, constatou-se que ela sofria de amnésia das memórias recentes. Ela não se lembrava do que acontecera nos últimos anos e isto significava não se lembrar do marido, nem do seu relacionamento. Ela nem sequer o reconhecia.
Na época, achei o filme lindo, maravilhoso. Chorei todos os rios que choramos quando assistimos a uma história de romance emocionante.

Eu sabia que o filme tinha sido baseado em um livro, mas nunca me interessei por lê-lo porque sentia-me plenamente satisfeita com a narrativa desenvolvida pelo cinema.
Mas, certo dia, vi no Instagram da Ana Paula Valadão, a líder da banda Diante do Trono, um comentário que me deixou muito curiosa: o livro que inspirou o filme não era um livro qualquer, mas, sim, uma história real. Então decidi-me por ler.


“Munida da minha carteirinha de cliente fiel”, fui até a biblioteca da Aninha tirar um exemplar parar ler. Ela alertou que não seria um bom livro, mas, sim, um bom testemunho.
De fato. Não se trata de um livro desses que estamos acostumados a ler. Não se trata de um romance, nem de uma ficção. Também não é uma história real escrita por um escritor. É a história de Kim e Krickitt Carpenter, contada por eles próprios. É o testemunho deles, sem floreios, sem rodeios, sem invenções, sem máscaras e fórmulas mágicas de fazer best-sellers. É o relato do que aconteceu na vida deste casal, feito de forma direta e dita do ponto de vista de quem viveu.
Kim Carpenter era treinador na Universidade Highlands, no Novo México, Estados Unidos. Certo dia ele telefonou para a loja Jammin Sportswaer, na Califórnia. Nesta ligação conheceu Krickitt e foi “amor ao primeiro alô”. É lindo como as coisas que tem que ser acontecem assim, naturalmente. O interesse de Kim por Krickitt nasceu de uma simples ligação.
Depois disso, durante muito tempo, eles trocam cartas e telefonemas. O Kim faz questão de ressaltar que, naquela época não havia internet, nem e-mail, afinal era o começo da década de 1990. E, se tivesse, certamente teriam economizado alguns milhares de dólares em comunicação!
Ao longo da narração percebemos como o amor entre Kim e Krickitt foi construído, como foram lançadas bases sólidas e fortes. Percebemos o processo que faz, aos poucos, brotar a amizade, depois o companheirismo até que finalmente eles podem reconhecer o amor como sendo o sentimento que verdadeiramente os une.


Kim ainda narra como a presença de Deus e da fé foi importante no relacionamento que ele e Krickitt mantinham. As orações, as conversas, os diários escritos por sua amada que revelavam seu tão grande amor pelo Senhor e a intimidade que com Ele tinha.
Eles estavam felizes.
Mas, com três meses de casados, o acidente aconteceu. Krickitt tem uma lesão cerebral gravíssima, entre tantas sequelas está o fato de nunca se lembrar de ter conhecido o marido, nem de tudo que viveram, que falaram, que sentiram.


Em tudo que já disse, percebemos como o filme é diferente. É mesmo o que está na capa do livro: é “a história que inspirou o filme”. O dilema central é o mesmo: a mulher que depois de sair do coma não se lembra do grande amor da sua vida. E o desfecho também é similar. Contudo, são obras completamente diferentes, com mensagens completamente diferentes. Até mesmo por isso os diretores tiveram o cuidado de renomear o casal de personagens protagonista.
No livro, as coisas são muito mais intensas, o acidente foi muito mais grave e as sequelas são terríveis. Kim narra tudo muito detalhadamente, o acidente, suas angustias, sua fé, suas dores, as dificuldades que passaram por conta dos problemas financeiros, dos planos de saúde, a longa rotina de hospital.
Kim passa pelo drama de não apenas ser esquecido, mas, também, rejeitado. Quando Krickitt acorda, ela o rejeita, o trata mal. Seu temperamento está modificado por causa da lesão. De certa forma, aquela pessoa que Kim vê não é a Krickitt com quem se casou. Nesses momentos de extrema dor e dificuldade, Kim contou com a sua fé. Se até aquele momento, de certa forma, o seu relacionamento com Deus era sustentado na fé de Krickitt, agora ele precisou andar com as próprias pernas no espiritual.
Lágrimas caem ao rosto inevitavelmente em vários momentos. Não há como não se emocionar.
Há certos acontecimentos que esperávamos serem narrados mais detalhadamente, mas, pelo argumento de ser uma autobiografia, escrita por quem não é escritor, acabamos por nos conformar.


Não é spoiler dizer que Para Sempre conta a história de um casal que supera dificuldades inimagináveis, que encontram na tragédia a oportunidade de provar seu amor, sua fé, sua coragem. Muitos teriam desistido, mas Kim Carpenter, em especial, nos mostra o que significa cumprir até as últimas consequências os votos que, em muitos casamentos, são esquecidos na primeira ventania: na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte os separe. Eles passaram pelo olho do furacão.
Como jovem casada que sou, recomendo o livro a todos os casais e a todos que pensam em constituir uma família.


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