Resenha: Cartas de Amor aos Mortos #UmaDoseReflexivaDeLiteratura

18:30 Prit Amaral 2 Comentarios



Cartas de Amor aos Mortos, de Ava Dellaira
Editora Seguinte

Nota no Skoob: 4,5/5 (http://migre.me/prIHi
Nota no Orelha de Livro: 4/5 (http://migre.me/prIJ6)
MINHA Nota: 8/10
Gênero: Drama/ Juvenil

Sinopse Oficial:
“Tudo começa com uma tarefa para a escola: escrever uma carta para alguém que já morreu. Logo o caderno de Laurel está repleto de mensagens para Kurt Cobain, Janis Joplin, Amy Winehouse, Heath Ledger, Judy Garland, Elizabeth Bishop… apesar de ela jamais entregá-las à professora. Nessas cartas, ela analisa a história de cada uma dessas personalidades e tenta desvendar os mistérios que envolvem suas mortes. Ao mesmo tempo, conta sobre sua própria vida, como as amizades no novo colégio e seu primeiro amor: um garoto misterioso chamado Sky. Mas Laurel não pode escapar de seu passado. Só quando ela escrever a verdade sobre o que se passou com ela e com a irmã é que poderá aceitar o que aconteceu e perdoar May e a si mesma. E só quando enxergar a irmã como realmente era — encantadora e incrível, mas imperfeita como qualquer um — é que poderá seguir em frente e descobrir seu próprio caminho.”

Logo quando vi a capa e li a sinopse do romance de estreia de Ava Dellaira, pensei: “Nossa, eu vou amar esse livro! Ele é a minha cara, pois fala sobre tantos artistas e personalidades bacanas...  Acho que vou ler todinho em um dia só!” Eu não poderia estar mais enganada! Rs.

Não que o livro seja ruim, longe disso! Mas ele me atingiu de forma tão pessoal que finalizá-lo foi uma tarefa árdua, uma luta travada comigo mesma diante do peso emocional provocado em mim. O livro fala, essencialmente, sobre perda, luto, morte, e como as pessoas reagem diante disso, cada uma a seu modo.


“Cartas de Amor aos Mortos” é exatamente o que seu título revela! Ele é formado por cartas escritas por Laurel, protagonista do livro, a personalidades já falecidas e é assim que passamos a conhecer a sua história, sua dor e seus sentimentos.

Laurel perdeu a irmã mais velha, May. Isso significa que ela não tem mais ao seu lado a sua melhor amiga, seu ponto de referência, sua inspiração. Para ela, May era perfeita e perdê-la foi como perder a si mesma, a projeção daquilo que ela deveria se tornar um dia – se conseguisse, pois, a seu ver, nunca chegaria aos pés de May.


Para fugir do inevitável sentimento de pena das pessoas que faziam parte de seu círculo social e de May, Laurel se muda de escola e tem que se adaptar a sua nova realidade. Essa não é uma tarefa fácil para uma garota tão jovem e já cheia de feridas não cicatrizadas, sem amigos, em um ambiente completamente diferente. Laurel está, literalmente, perdida!

É nessa nova escola que ela recebe a tarefa de escrever uma carta para alguém que já tenha morrido. O destinatário da carta de Laurel é justamente o ídolo de sua irmã: Kurt Cobain. Nessa carta, ela expressa toda a saudade que sente de May e como sua vida se transformou depois da sua morte. É um desabafo tão sincero que ela não tem coragem de entregar a carta para sua professora de inglês e começa a escrever outras cartas, direcionadas a outras personalidades já mortas, como Judy Garland, Amy Winehouse, Amelia Earhart, Allan Lane etc.

O interessante é que passamos a conhecer um pouquinho da vida dessas pessoas, de suas dificuldades, da sua vida como “ser humano” e não apenas como “ídolo”. Além disso, começamos a perceber os problemas familiares enfrentados por Laurel, a culpa e o inconformismo que ela sente em relação à partida de May, e conhecemos seus novos amigos e a sua paixão: o misterioso Sky.




Como já deu para perceber, “Cartas de Amor ao Mortos” é repleto de quotes poéticas e profundas, do tipo que nos faz parar e refletir... E como eu refleti! Rs


Vocês devem estar se perguntando então o porquê de eu ter entrado em um conflito quase existencial com esse livro, de eu ter postergado minha leitura o máximo possível e de ter me decepcionado tanto por achar que ele não estava correspondendo às minhas expectativas...

O problema todo pra mim não foi o fato do livro falar sobre “morte”, pois este é o fim inevitável de todo ser vivo. O que me deixou angustiada foi me deparar com a triste realidade de que os artistas e personalidades para quem Laurel escreve morreram ainda jovens e, muitas vezes, em decorrência de seus próprios atos. É claro que eu compreendo a relação que a autora quis traçar com a própria May e a escolha de cada uma dessas pessoas fica muito bem explicada... Só que... Realmente, é algo extremamente pessoal e eu não consegui evitar o desconforto e o peso emocional que sobrevieram. Creio que a explicação para isso esteja no meu amor incondicional pela VIDA!

No entanto, fiquei extremamente feliz por ter conseguido terminar a leitura desse livro e me emocionei muito diante do amadurecimento notório pelo qual Laurel passou e, sobretudo, perante o caminho que ela seguiu em busca de uma identidade própria – compreendendo que May era tão falha e imperfeita como qualquer um de nós, mas nem por isso, menos especial.



2 comentários :

  1. "Logo quando vi a capa e li a sinopse do romance de estreia de Ava Dellaira, pensei: “Nossa, eu vou amar esse livro! Ele é a minha cara, pois fala sobre tantos artistas e personalidades bacanas... Acho que vou ler todinho em um dia só!” Eu não poderia estar mais enganada! Rs."

    Exatamente o que aconteceu cmg .

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    Respostas
    1. Que bom que encontrei alguém que teve a mesma sensação que eu! Rs.

      Obrigada pelo carinho, Raissa!

      Um xêro

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