(Re)agir
(Re)agir
“Eu aprendi
que a coragem não é a ausência de medo, mas o triunfo sobre ele. O homem
corajoso não é aquele que não sente medo, mas aquele que conquista por cima do
medo.”
―Nelson Mandela
―Nelson Mandela
O medo é paralisante. Todas essas coisas que a gente ouve desde pequeno
sobre o medo só ter poder sobre você se você deixar são a mais perfeita
verdade, porém, como fugir disso? Como impedir que algo tão seu tenha total
efeito sobre você? Eu sempre ouvi as pessoas ao meu redor dizerem que eu sou
corajosa, que luto pelo que quero, que corro atrás dos meus sonhos, que me
posiciono... Gostaria de saber o que essas pessoas pensariam se soubessem o que
realmente passa pela minha cabeça. As pessoas têm diferentes maneiras de reagir
à vida, é quase como quando você é assaltado. Alguns correm, outros ficam tão
paralisados que sequer conseguem entregar o que está sendo demandado, outros
querem brigar com o assaltante, outros têm reações adversas – como rir ou
entrar numa crise de choro, coisas do tipo. Eu sei disso porque eu já fui
assaltada e, assim como minha reação à vida, meu primeiro pensamento foi:
correr. Eu não queria dar uns tabefes na cara do assaltante, eu não ri, nem
chorei, não é assim que eu reajo à vida, mas eu simplesmente também não fico
parada. Naquela ocasião específica eu não corri, mas apenas por um motivo, uma
pessoa que eu amo muito estava sob ameaça e eu nunca colocaria meus instintos
de sobrevivência frente à vida de alguém, especialmente alguém tão importante.
Porém, quero dizer apenas que é assim que nós somos diante do inesperado, aquelas
situações que nos mostram quão dinâmica é a vida e quão pouco controle temos
diante dela. O meu correr não é planejado, é basicamente meu jeito de não
morrer. Eu corro porque eu tenho medo e não porque sou corajosa. Essa é minha
maneira de (re)agir. Sempre ouvi dizer que nós não podemos sentar e esperar que
as coisas nos aconteçam ou simplesmente aceitar que elas aconteçam de qualquer
maneira; nós não fomos colocados aqui como peças num tabuleiro, nós fomos
criados para interagir com nossos próprios destinos, e somos parte essencial do
que nos sucederá. Então eu sempre achei que ficar parada não ia adiantar muito,
e corri tanto que o simples fato de não saber o que fazer além de correr me
assusta tremendamente. A verdade é que a vida não é uma música de balada única
e assim como os diversos ritmos musicais, ela apresenta diferentes danças; é
preciso saber como agir, como reagir, como dançar, diante da música que ela
toca. Nem sempre correr. Nem sempre rir. Nem sempre chorar. Nem sempre ficar
parado... Mas aceitar que haverá momentos para tudo isso e que o segredo está
em saber como (re)agir e não em simplesmente agir. Meu medo de ficar parada fez
com que eu me tornasse incapaz de perceber que quando grandes coisas estão em
jogo, às vezes é melhor respirar fundo e me acalmar, assim como quando fui
assaltada e não corri pra não colocar a vida de alguém que eu amava em risco.
Às vezes você não pode correr pra não colocar um sonho em risco, às vezes as
coisas vão se resolver melhor se eu parar pra pensar e me adequar à situação,
ao invés de querer adequar as situações a mim e aos meus instintos. Mas a
verdade mais importante nisso tudo é que nada disso é simples, é apenas uma
constatação de como a vida realmente é: um jogo de estratégia no qual estamos
tentando sair vitoriosos. Vencendo, principalmente, a nós mesmos. Portanto, é
importante perceber direitinho que haverá momentos para todas as coisas e,
consequentemente, o que se encaixa melhor na situação para manter sua
sobrevivência e não cair no buraco negro da ansiedade e do medo. Se for o
momento oportuno de correr, corra. Se for o momento oportuno de lutar, lute. Se
for o momento de rir, ria; de chorar, chore...
O coração provavelmente te dará uma margem de segurança relevante, porém
ele não é tudo, o cérebro é um aliado importante, afinal temos os dois por um
excelente motivo. Mas há também os ouvidos. É importante escutar, é importante
colocar todos os sentidos para funcionar juntos. Reagir tem muito mais a ver
com derrotar o pânico do que a situação em si, é tomar o controle do que pode
ser controlado diante do incontrolável: você mesmo, suas emoções, seu raciocínio.
Que meu medo não seja a reação que me coloca em risco, mas a que me faz
aceitá-lo e superá-lo, e que quando eu correr, eu corra pra valer e não por
temer.
Anamaria Fonsêca

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