Resenha: O histórico infame de Frankie Landau-Banks, de E. Lockhart
O histórico infame de
Frankie Landau-Banks, E. Lockhart
Editora Seguinte
Nota no Skoob: 4.1/5
Nota no Orelha de Livro: 4/5
MINHA Nota: 9/10
Gênero: Ficção/Jovem Adulto
Todo mundo sabe que eu sou apaixonada
por livros. Que eles tipo, são a coisa mais importante na Terra para mim
(depois dos seres humanos, é claro. Não de todos os seres humanos, é claro
também, risos, livros são mais legais que muita gente por aí). O que muitas
pessoas não sabem é que são autores como Emily Jenkins, a.k.a. E. Lockhart, que
me fazem amar cada dia mais esse universo incrível onde as palavras são minha
casa e também meu alimento.
Eu conheci a E. Lockhart através do
livro Mentirosos (clique aqui para ler a resenha), e fiquei enlouquecida
querendo ler tudo mais que ela já houvesse publicado porque a escrita dela é simplesmente
fantástica, seus enredos são tão incríveis quanto e é tudo tão bem elaborado
que te faz se apaixonar mesmo. Estou oficialmente apaixonada pela escrita da
Emily e ela já conquistou um grande espaço no meu coração. Preciso ressaltar
também que essa autora é amiga de ninguém mais ninguém menos que John Green, e
eu tô tipo GENTE, TAMBÉM QUERO SER AMIGA DE VOCÊS, POR FAVOR, TE AMO, TE AMOS.
Que pessoas mais lindas, faz todo sentido que eles sejam amigos mesmo.
Certo, agora partindo para o que
realmente interessa nesse post, que é o livro “O histórico infame de Frankie
Landau-Banks”, preciso começar essa resenha com uma citação muito relevante do
livro:
“É melhor ficar
sozinha, ela pensa, do que ficar com alguém que não te enxerga como você
é. É melhor liderar do que seguir. É melhor falar do que ficar em
silêncio. É melhor abrir portas do que fechá-las na cara das pessoas.”
O livro conta a história de Frankie,
uma jovem da elite estadunidense, que estuda num colégio interno muitíssimo
famoso e conceituado, filha de pais divorciados, irmã mais nova de uma garota
cheia de iniciativa, e considerada por todos do seu ciclo mais próximo como uma
“princesinha”. O problema é que ela odeia esse rótulo. E o outro problema é que
ela não tem ideia de como se livrar dele até começar o seu 2º ano do ensino
médio na escola.
Frankie mudou muito dos 14 para os 15
anos, naquelas férias ela literalmente se transformou de menina a mulher.
Cresceram os seios, o cabelo e a pele ficaram mais bonitos, mudou o porte, a
postura e até as roupas (porque as antigas já não estavam mais cabendo nela), e
essa mudança exterior de alguma forma colaborou também para uma mudança
interior. Junto com o que ela ganhou de “atributo” exterior, nasceu na garota
uma expectativa de autoconfiança que só se desenvolve com o tempo.
Quando Frankie retorna ao colégio
interno, nós começamos a ter uma perspectiva da rotina dela e também da crise
interior que ela enfrenta entre quem ela realmente é e quem aparenta ser, além
do conflito que existe dentro da garota entre o que ela quer pra si e o que
realmente importa.
Logo no começo das aulas, Frankie
sofre um pequeno acidente que faz com que ela seja notada pelo garoto pelo qual
ela alimentava uma paixonite desde o ano anterior, mesmo quando ela tinha um
namorado. Esse garoto se chama Matthew, e, aos olhos de Frankie, é a pessoa
mais incrível que existe no colégio, ele é perfeito em cada um dos aspectos da
sua existência e o fato de ele dar a ela o mínimo de importância faz com que
ela se sinta absolutamente especial. OK, até então nada diferente dos livros de
romance que estamos acostumados a ler. Mas Frankie não é mais uma na multidão e,
apesar de haverem livros clichês muito bons mesmo, Frankie existe para transgredir
o óbvio e é uma delícia acompanhar a jornada dela enquanto se descobre como
capaz de fazer isso.
“Matthew tinha
dito que ela era inofensiva. Inofensiva. E estar com ele fazia Frankie se
sentir como se estivesse esmagada dentro de uma caixa – uma caixa onde ela
deveria ser encantadora e sensível (mas não sensível demais); uma caixa para as
garotas jovens e bonitas que não eram tão brilhantes ou poderosas quanto seus
namorados. Uma caixa para pessoas cuja força não merecia ser levada em conta.
Frankie queria ser uma força.”
Muitos fatores levam Frankie a se
incomodar com o universo no qual está inserida e com o papel que ela sente que
foi designado a ela. Ela sabe que é uma garota privilegiada, vivendo uma vida
privilegiada, mas ela quer ser mais que uma garota inteligente e bonita, ela
quer mostrar sua importância, principalmente frente ao machismo velado
existente na sociedade que ela e todos
nós habitamos.
Frankie começa a perceber e
literalmente dissecar as regras implícitas do convívio social e com uma
abordagem densa sobre o panóptico (ideia difundida através da obra Vigiar e Punir, de Foucalt), dentre
outras questões, ela decide que quer ser mais do que lhe disseram que ela pode
ser, ela não quer ser uma princesinha, ser a pessoa por trás de alguém, ela
quer mostrar que é capaz de mais que isso e que a sociedade de controle não tem controle algum sobre ela.
Preciso dizer pra vocês, Frankie é
bem louca, e concordo quando ela mesma reconhece e algumas pessoas dizem que
ela é meio obsessiva, mas eu sei bem como é ter uma mente eternamente em
ebulição e acho fantástica a maneira como a personagem se desenvolve, mostrando
seu potencial, independente dos erros. Afinal, os erros e obstáculos, se
aproveitados da maneira certa podem se tornar degraus, e principalmente nos
mostram verdadeiramente quem somos e quem queremos ser.
Gosto da ambientação do livro também,
de toda essa história de sociedade secreta e grupos exclusivos nada inclusivos.
Acho legal a maneira como Frankie se atrai pela popularidade, pela leveza e
diversão de Matthew e seus amigos, até perceber como aquilo é tão fácil e
natural para eles enquanto é tão difícil e injusto para ela. É interessante
também ver como ela quer lutar contra isso, mas ao mesmo tempo manter tudo
absolutamente igual. Qualquer pessoa que tenha passado pelo ensino médio, mesmo
que não tenha sido num colégio interno extremamente caro e exclusivo dos
Estados Unidos, tem uma noção de como parece que o rascunho da vida começa
a se desenvolver nessa época e de como os grupos e “panelas” ali formados
parecem que vão definir toda sua história se você não tomar algum controle
sobre a sua existência. Sempre gosto de ler sobre isso e tive um inferno
médio ao invés de ensino médio, então gosto muito de analisar essas questões.
Há alguns personagens muito
interessantes, que acabei por não conhecer tão bem como gostaria, como a amiga
e colega de quarto de Frankie, Trish, e também o Alfa, melhor amigo de Matthew
e crush de Frankie, que é um mistério
tão misterioso que não posso falar mais nada sem dar spoilers. Mas, posso dizer: como gostaria de interrogar o Alfa pra
tirar umas 2948 dúvidas que ficaram na minha cabeça sobre ele ao longo do
livro.
Acho que, dentre muitas mensagens que
a E. Lockhart quis passar através desse livro, ela brilhantemente fala sobre
feminismo para jovens de uma maneira concreta e pautada numa ideologia de
igualdade que eu adiro, com coerência e sem radicalismos.
“Ela não será
simples e doce. Ela não será o que as pessoas dizem que ela deve ser.
Aquela princesinha está morta.”
Ela fala também, principalmente,
sobre autoconhecimento, não permitir que as pessoas te subestimem, e faz uma
reflexão muito interessante sobre a constante vigilância que existe na nossa
sociedade e que nos limita de tantas maneiras que nem podemos nos dar conta do
quanto se não pararmos para realmente analisar.
Achei brilhante em muitos aspectos,
mas, confesso que queria MAIS, queria maiores explicações, queria um vislumbre
maior do futuro, entretanto, reconheço a característica da narrativa da autora
em não falar nada além do absolutamente necessário – “Mentirosos” que o diga!
Então vou viver e lidar com minha frustração por não saber mais sobre tudo que
gostaria de saber enquanto aguardo ansiosamente novas publicações dessa autora
maravilhosa que escreve tão brilhantemente histórias tão fantásticas – OMG, são
muitos elogios, mas garanto que ela
merece todos!
Espero que
tenham gostado da resenha e se interessado pelo livro. Garanto que a leitura é
proveitosa, apesar de a minha obra preferida dessa autora continuar sendo
Mentirosos, acho que ela não decepciona em nada, até porque “O incrível
histórico...” foi escrito antes de Mentirosos, o que só quer dizer que ela tem
evoluído bastante.
Algumas das minhas quotes favoritas:
Algumas das minhas quotes favoritas:
Obs.: Outras capas do mesmo livro, em inglês. Eu adorei especialmente essa que é um envelope com um selo vermelho de bassê, quando vocês lerem o livro, entenderão o motivo! :)


Fica a dica! ;)
Resumo oficial:
Aos catorze anos, Frankie Landau-Banks era uma garota comum, um pouco
nerd, que frequentava a Alabaster, uma escola tradicional e altamente
competitiva. Mas tudo muda durante as férias. Na volta às aulas para o segundo
ano, o corpo de Frankie havia se desenvolvido, e ela havia adquirido muito mais
atitude. Logo ela chama a atenção de Matthew Livingston, o cara mais popular do
colégio, que se torna seu novo namorado e a apresenta ao seu círculo de amigos
do último ano. Então Frankie descobre que Matthew faz parte de uma lendária
sociedade secreta - a Leal Ordem dos Bassês -, que organiza traquinagens pela
escola e não permite que garotas se juntem ao grupo. Mas Frankie não aceitará
um "não" como resposta. Esperta, inteligente e calculista, ela dará
um jeito de manipular a Leal Ordem e levantará questionamentos sobre gênero e
poder, indivíduos e instituições. E ainda tentará descobrir se é possível se
apaixonar sem perder a si mesma.
"Brilhante!" — John Green
"Totalmente incrível." — Scott Westerfeld
"Um dos meus livros favoritos do ano. Se você ainda não leu, leia agora." — Libba Bray

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