Hoje é o dia certo.

14:14 Unknown 4 Comentarios




“Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver.”
Dalai Lama 

Eu sempre fico melancólica próximo a datas que considero relevantes. É puramente psicológico, mas já se tornou inevitável. Quando vai chegando meu aniversário, eu entro nessa concha onde a única coisa que consigo encarar sou eu mesma e a vida que venho levando. Fim de dezembro traz consigo o mesmo clima pra mim. Na última semana, eu sou jogada nesse túnel do tempo em que sou obrigada (por mim mesma) a encarar o ano inteiro, processar o que é relevante, lidar com isso e... Seguir em frente: continuar vivendo. É louco, mas é quem eu sou. E eu já descobri que esse tipo de loucura não é necessariamente uma peculiaridade minha, mas continua havendo pessoas que simplesmente não entendem. Tudo bem, talvez eu consiga explicar melhor.
Certa feita uma pessoa chegou para mim e me disse: “não entendo esse clímax de fim de ano, o ano-novo afinal não é só um dia que termina pra outro começar?!”. Mas é claro! Essa pessoa não poderia estar mais certa. Sim, o ano-novo, de fato, é só um dia que sucede a outro, um mês que sucede a outro; em termos de calendário não é nada incrível mesmo e eu nem vou entrar no aspecto cultural aqui porque quero falar mesmo é de outra coisa.


Então por que, afinal, essa expectativa com o fim de ano e o ano-novo? Olha, eu não sei dizer por que outras pessoas amam tanto essa época, mas posso dizer que, ao meu ver, o ser humano precisa de ‘marcos’. Nós precisamos de marcos/símbolos, senão registramos muito pouco e acabamos deixando passar momentos que realmente importam, como “o dia em ‘tudo começou’”, ou o “o dia em que ‘algo aconteceu’”, ou “o dia em ‘algo terminou’”, ‘tudo mudou’, ‘tudo (re)começou’, e esses marcos são extremamente importantes pra que a gente se dê conta de onde já chegamos, onde estamos e onde queremos chegar. É como uma bússola que aponta a direção a seguir e um GPS que mostra os lugares já alcançados.


Por esse motivo eu gosto muito dessa época, porque um ano tem 365 (ou 366 a depender) dias e quando enfim chega o último dia, uma etapa inevitavelmente é concluída e os “fins” e “(re)começos” são os melhores momentos para refletirmos. E nós precisamos refletir. O que é a vida sem reflexão? Pensar, ponderar, trazer coisas à memória, espalhar lembranças na mente como num tabuleiro, ajuda a gente a lidar com nossas emoções, superar, agradecer, concluir e também esquecer... Mas, pra isso acontecer, precisamos encarar a vida e deixar coisas findarem dentro de nós junto com o ano que acabou e abrir as portas pra coisas novas, assim como para o novo ano, o novo dia, e vivê-lo, no melhor sentido da palavra.


Eu sou a favor de viver a vida um dia de cada vez, refletindo sempre sobre o caminho que trilhamos, mas não posso negar que o fim de um ano é um momento especial para fazer uma grande retrospectiva: dar adeus ao que chegou o tempo de terminar, mudar, sonhar, perdoar, planejar, olhar pro Alto, agradecer, prosseguir, abraçar o novo... Se a gente parar de se empolgar com novas chances, vamos nos acostumar com velhos erros e nos acomodar com o que, talvez, incomode.


Por isso, fim de ano pra mim é uma época especial. É quando eu paro pra dar uma caprichosa olhada na minha bagagem e faço uma faxina na alma, mantenho o que agrega e jogo fora o que se tornou peso desnecessário ou cumpriu seu objetivo. Sigo em frente em linha reta e não procuro o que temer.


Além disso, a vida é uma sequência de fatos e não tem rascunho, então o melhor que podemos fazer é reter o que é bom, manter o foco e não desperdiçar novas chances. Como seres humanos, estamos sempre mudando, as experiências e relacionamentos nos tocam e nos transformam, mas o objetivo final é, em regra, sempre o mesmo pra todos: ser o mais fiel possível a quem se é de fato e aproveitar da melhor maneira o presente – o hoje, a vida! Porque não é fácil se manter ‘de pé’ frente a um mundo com munição infinita, mas há algo a nosso favor: os dias tem começos, mas tem fins, assim como os meses e os anos. E os ventos que vem e vão trazem suas próprias mudanças: de condições, de cenário, de temperatura...
Nenhuma circunstância é eterna na vida terrena, e é bom que seja assim, pois nenhuma felicidade de hoje será menor que a de ontem, e nenhuma tristeza de hoje será maior que a de amanhã; tudo é ‘demais’ – seja bom ou ruim – quando se vive o hoje, mas o amanhã traz suas próprias surpresas e elas sempre chegarão, seja para nos tornar melhores através dos desafios ou para nos agraciar com o sabor das alegrias, mas nada disso cumprirá seu papel se não deixarmos o ontem para trás ou nos fixarmos no que ainda não aconteceu.


O ‘hoje’ é o que tem ‘pra hoje’. Não é passado, nem futuro. É um presente. E o que a gente faz (ou pelo menos deveria fazer) quando se ganha um presente? Abre espaço no armário, no guarda-roupa... Na vida, no coração. Essa é a beleza do novo.
Sendo assim, ano-novo é só mais um dia, mas que traz consigo uma promessa, onde boa parte da realização depende de mim, então vamos lá! Vamos aprender, viver, amar e ser! Adeus tempo velho, feliz mais uma chance! Feliz hoje!

Anamaria Fonsêca

“O tempo não volta, nem pode parar, mas me dá a chance de recomeçar...”
Daniela Araújo


4 comentários :

  1. amo todas a suas reflexões! obrigada amiga!

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    1. Oh, amiga! Eu te amo <3 Obrigada por ser tão linda e por seu suporte!
      Beijos,
      Aninha.

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