Hoje é o dia certo.
“Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver.”
Dalai Lama
Eu sempre
fico melancólica próximo a datas que considero relevantes. É puramente
psicológico, mas já se tornou inevitável. Quando vai chegando meu aniversário,
eu entro nessa concha onde a única coisa que consigo encarar sou eu mesma e a
vida que venho levando. Fim de dezembro traz consigo o mesmo clima pra mim. Na
última semana, eu sou jogada nesse túnel do tempo em que sou obrigada (por mim
mesma) a encarar o ano inteiro, processar o que é relevante, lidar com isso
e... Seguir em frente: continuar vivendo.
É louco, mas é quem eu sou. E eu já descobri que esse tipo de loucura não é
necessariamente uma peculiaridade minha, mas continua havendo pessoas que
simplesmente não entendem. Tudo bem, talvez eu consiga explicar melhor.
Certa feita uma pessoa chegou para mim e me disse: “não entendo esse
clímax de fim de ano, o ano-novo afinal não é só um dia que termina pra outro
começar?!”. Mas é claro! Essa pessoa não poderia estar mais certa. Sim, o
ano-novo, de fato, é só um dia que sucede a outro, um mês que sucede a outro;
em termos de calendário não é nada incrível mesmo e eu nem vou entrar no
aspecto cultural aqui porque quero falar mesmo é de outra coisa.
Então por que, afinal, essa expectativa com o fim de ano e o ano-novo?
Olha, eu não sei dizer por que outras pessoas amam tanto essa época, mas posso
dizer que, ao meu ver, o ser humano precisa de ‘marcos’. Nós precisamos de
marcos/símbolos, senão registramos muito pouco e acabamos deixando passar
momentos que realmente importam, como “o dia em ‘tudo começou’”, ou o “o dia em
que ‘algo aconteceu’”, ou “o dia em ‘algo terminou’”, ‘tudo mudou’, ‘tudo
(re)começou’, e esses marcos são extremamente importantes pra que a gente se dê
conta de onde já chegamos, onde estamos e onde queremos chegar. É como uma bússola que aponta a direção a
seguir e um GPS que mostra os lugares já alcançados.
Por esse motivo eu gosto muito dessa época, porque um ano tem 365 (ou 366
a depender) dias e quando enfim chega o último dia, uma etapa inevitavelmente é concluída e os “fins”
e “(re)começos” são os melhores momentos para refletirmos. E nós precisamos refletir. O que é a vida sem
reflexão? Pensar, ponderar, trazer coisas à memória, espalhar lembranças na
mente como num tabuleiro, ajuda a gente a lidar com nossas emoções, superar,
agradecer, concluir e também esquecer... Mas,
pra isso acontecer, precisamos encarar a vida e deixar coisas findarem dentro
de nós junto com o ano que acabou e abrir as portas pra coisas novas, assim
como para o novo ano, o novo dia, e vivê-lo, no melhor sentido da palavra.
Eu sou a favor de viver a vida um dia de cada vez, refletindo sempre
sobre o caminho que trilhamos, mas não posso negar que o fim de um ano é um
momento especial para fazer uma grande retrospectiva: dar adeus ao que chegou o
tempo de terminar, mudar, sonhar, perdoar, planejar, olhar pro Alto, agradecer,
prosseguir, abraçar o novo... Se a gente parar de se empolgar com novas
chances, vamos nos acostumar com velhos erros e nos acomodar com o que, talvez,
incomode.
Por isso, fim de ano pra mim é uma época especial. É quando eu paro pra
dar uma caprichosa olhada na minha bagagem e faço uma faxina na alma, mantenho
o que agrega e jogo fora o que se tornou peso desnecessário ou cumpriu seu
objetivo. Sigo em frente em linha reta e
não procuro o que temer.
Além disso, a vida é uma sequência de fatos e não tem rascunho, então o
melhor que podemos fazer é reter o que é bom, manter o foco e não desperdiçar
novas chances. Como seres humanos, estamos sempre mudando, as experiências e
relacionamentos nos tocam e nos transformam, mas o objetivo final é, em regra,
sempre o mesmo pra todos: ser o mais fiel possível a quem se é de fato e
aproveitar da melhor maneira o presente
– o hoje, a vida! Porque não é fácil se manter ‘de pé’ frente a um mundo com
munição infinita, mas há algo a nosso favor: os dias tem começos, mas tem fins,
assim como os meses e os anos. E os ventos que vem e vão trazem suas próprias
mudanças: de condições, de cenário, de temperatura...
Nenhuma circunstância é eterna na vida terrena, e é bom que seja assim,
pois nenhuma felicidade de hoje será menor que a de ontem, e nenhuma tristeza
de hoje será maior que a de amanhã; tudo é ‘demais’ – seja bom ou ruim – quando
se vive o hoje, mas o amanhã traz suas próprias surpresas e elas sempre chegarão,
seja para nos tornar melhores através dos desafios ou para nos agraciar com o
sabor das alegrias, mas nada disso cumprirá seu papel se não deixarmos o ontem para
trás ou nos fixarmos no que ainda não aconteceu.
O ‘hoje’ é o que tem ‘pra hoje’. Não é passado, nem futuro. É um
presente. E o que a gente faz (ou pelo menos deveria fazer) quando se ganha um
presente? Abre espaço no armário, no guarda-roupa... Na vida, no coração. Essa
é a beleza do novo.
Sendo assim, ano-novo é só mais um dia, mas que traz consigo uma
promessa, onde boa parte da realização depende de mim, então vamos lá! Vamos aprender, viver, amar e ser! Adeus tempo velho, feliz mais uma
chance! Feliz hoje!
“O tempo não volta, nem pode parar, mas me dá a chance de
recomeçar...”
Daniela Araújo








Maravilha, minha filha!!!!
ResponderExcluirObrigada, mamãe linda! TE AMO!
ExcluirBeijos,
Aninha.
amo todas a suas reflexões! obrigada amiga!
ResponderExcluirOh, amiga! Eu te amo <3 Obrigada por ser tão linda e por seu suporte!
ExcluirBeijos,
Aninha.