Resenha: A Escolhida, Lois Lowry Série O Doador
A Escolhida, Lois Lowry,
Editora Aqueiro
Nota no Skoob: 3.7 de 5 http://migre.me/oOVUx
Nota no Orelha de Livro: Ainda sem nota
Minha Nota: 7.5 de 10
A Escolhida, de Lois Lowry,
é o segundo livro da série O Doador – o primeiro, O Doador de Memórias, já foi resenhado aqui blog. Diferente do que
se possa imaginar, A Escolhida não é exatamente uma continuação, mas uma nova
estória, com novos personagens, numa outra sociedade distópica, mantendo,
contudo, a proposta questionadora presente no primeiro livro.
O livro conta a estória de
Kira, uma jovem órfã que tem uma perna torta e deformada e, por isso, precisa
da ajuda de um cajado para se locomover. Numa sociedade em que os fracos não
têm lugar, o fato de Kira ter sido mantida viva é quase um milagre. Rejeitada no
vilarejo em que viveu com a mãe, Katrina, sua protetora, Kira se vê sozinha e
desnorteada quando sua mãe vem a falecer. Incerta sobre o seu destino, agora
órfã não só de pai como de mãe, Kira se surpreende quando lhe é dada uma
importante atribuição, tornar-se a responsável pelos reparos e bordados de uma túnica
que passa de geração em geração há séculos. Muito habilidosa com as mãos, ela
tem um dom, consegue bordar como ninguém, a arte vem a ela de forma tão natural
que ela mesma demora a se dar conta do dom que tem e do quanto é preciosa.
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| Cena da peça de teatro baseada no livro. Foto extraída de lamesilladenoche.blogspot.com |
Em sua nova atribuição, Kira,
que sempre teve uma vida simples e regrada no vilarejo, é abrigada com
confortos e regalias no Conselho da Justiça, onde conhece Thomas, o entalhador
responsável pelo cajado, outro importante objeto da sociedade. Kira e Thomas
vão se tornar amigos e, especialmente, cúmplices, e juntos vão se questionar e descobrir
quão importantes e extraordinários são seus dons e como funciona a sociedade em
que vivem.
Além de Thomas, Kira também
conta com a amizade especial de um garotinho levado e sujinho, chamado Matt, e
seu fiel escudeiro, Toquinho, um cachorrinho de rabo torto que adora insetos,
pelos quais dificilmente você não vai se apaixonar. Desafio vocês a não se
pegarem rindo em algum momento de alguma trapalhada de Matt e Toquinho.
Diferente do primeiro livro
da série, a sociedade trazida por A Escolhida pode não ser considerada tão controladora quanto a apresentada em
O Doador de Memórias. Na sociedade de A Escolhida, as pessoas conseguem
enxergar cores, possuem sentimentos, se relacionam livremente e suas
atribuições, em regra, não lhes são designadas pelo governo, mas é preciso ser
útil ou você será descartado no campo para ser levado pelas feras.
A minha impressão é de que a
primeira sociedade, apresentada em O Doador de Memórias, a sociedade de A
Escolhida e outras sociedades que ainda não conhecemos existem ao mesmo tempo
no mundo pós-ruina, mas que não se misturam ou ainda não se misturaram. A série
O Doador conta com mais dois livros que eu ainda não li, então, isso é pura
especulação, mas vamos ver.
A Escolhida não foi um livro
que eu devorei compulsivamente, li com calma, aos poucos, mas gostei bastante. A
estória é misteriosa e intrigante. Os personagens são bem construídos e
cativantes. O livro cumpre o seu papel de distopia e faz você questionar até
que ponto coisas que aprendemos a aceitar como naturais são de fato naturais ou
não. Indico a leitura.




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