Em construção
Um dia desses,
parada em um engarrafamento, em pleno meio-dia, comecei a sentir cheiro de
construção. Aquele cheiro de concreto e cimento misturado com água. Havia um
prédio em construção a alguns metros. Fiquei surpresa com o fato de sentir-me
bem com aquele aroma. Talvez seja porque ele me é totalmente familiar, porque
revela o que realmente sou: um projeto em construção.
Olhei para
aquele prédio inacabado e me entendi nele. Sou uma pessoa em construção. Será
que meus fundamentos estão firmes o suficiente para suportar o peso do concreto
que será lançado por cima? Será que há vigas o bastante? Será que a areia é de
qualidade? Quem será o mestre de obras de todo este empreendimento?
Sei que sou
responsável pelos meus próprios fundamentos. Fundamentos de fé, de esperança,
de luta, de perseverança, de amor, acima de tudo, amor. Este último é a parte
mais terrível e necessária. Se não houver amor, mais cedo ou mais tarde o
prédio vai ruir. Se assim o for, tudo será demolido e refeito. Já vi isso
muitas vezes com construções ao meu redor. Mas, quando elas passaram a ser
lideradas pelo Bom Mestre-de-obras, tudo foi diferente.
Sei que devo
me permitir ser trabalhada pelo Melhor dos arquitetos.
Como projeto
em construção, há em mim uma placa que diz: “Perigo:
pessoa em construção”. Você precisa se proteger ao explorar uma construção.
Colocar o equipamento de segurança. Tem que olhar onde pisa. Tem que saber
prestar atenção. É perigoso, você pode se machucar. Mas, acima de tudo, tem que
ter olhos de águia, ver além. Ver o concreto e enxergar o prédio pronto. Ver as
paredes sem reboco e perceber o quão agradável será estar ali quando tudo
estiver pronto.
Preciso me
aceitar como pessoa em construção e confiar que Aquele que começou a boa obra é
fiel pra cumprir.



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