Resenha: A menina que tinha dons, de M.R. Carey

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A menina que tinha dons, de M.R. Carey
Editora Rocco – Fábrica231

Nota no Skoob: 4,2/5
Nota no Orelha de Livro: 4/5
MINHA Nota: 8/10
Gênero: Ficção


                  Antes de falar especificamente sobre “A menina que tinha dons”, acho que é importante falar sobre o seu autor: M.R. Carey. Esse é o livro de estreia de Mike Carey, que é um renomado autor de quadrinhos e roteiros de ficção. Ele é conhecido por ter escrito algumas das mais aclamadas história de X-Men, e já escreveu diversas histórias para a Marvel e a DC Comics, ou seja, ele definitivamente não é novo no mercado. Ele é um dos motivos pelo qual eu quis ler esse livro. O segundo motivo é porque é uma distopia, e eu meio que me descobri como fã do gênero nos últimos tempos.
               Preciso confessar que logo nas primeiras páginas o livro me surpreendeu bastante, não porque era uma história melhor que eu imaginava ou algo do tipo, mas porque eu percebi que definitivamente ele não era do meu estilo preferido de literatura, pois apesar de ser uma distopia e um livro de fantasia, é sei lá, de um tipo que, em regra, eu prefiro evitar ou porque não aguento o “peso” da narrativa ou porque não acho interessante. Eu esperava uma coisa e me descobri de frente a outra completamente diferente, mas eu resolvi insistir pela credibilidade do autor e por saber que, mesmo não sendo muito do meu estilo, seria uma boa história.
               Em alguns momentos eu consegui imaginar o livro sendo retratado em quadrinhos e me peguei pensando se ele não seria ainda melhor se retratado dessa maneira, mas então percebi que se fossem quadrinhos eu JAMAIS os leria (risos)!!!! Tem cenas descritas nesse livro que já são difíceis demais de ter na imaginação, imagine tendo que visualizar a coisa?! Não, pra mim não dá. Então percebi que era melhor ter a narrativa em formato de livro mesmo.
               O livro é envolvente e a história é muito bem contada, apesar de deixar algumas lacunas que incomodam, é perceptível que essa é uma estratégia narrativa, pois o universo abordado é grande demais, talvez se o autor abrangesse na narrativa mais do que abrangeu poderia se perder e tornar-se prolixo de um jeito negativo.
               Sendo assim, tratando sobre o enredo especificamente, o livro conta a história de Melanie, uma garotinha de 10 anos, que vive num mundo pós-apocalíptico. Mas as condições de vida de Melanie são um tanto quanto exóticas. Ela mora numa cela e só sai dela atada a uma cadeira de rodas, diretamente para uma sala de aula onde professores se revezam para transmitir conhecimento para ela e seus outros coleguinhas, que vivem exatamente como ela. Nos fins de semana, ela se alimenta de minhocas e toma uma ducha de produtos químicos e é basicamente assim que a vida é. Ela não consegue imaginar nada além disso.
               Ainda assim, Melanie é fascinada pelas histórias de um mundo “desconhecido” (passado e/ou fantasia) para ela, contadas especialmente por sua professora preferida, srta. Justineau. E por que não dizer sua pessoa preferida? Porque é exatamente isso que Helen Justineau é para Melanie: sua pessoa preferida. Melanie é totalmente encantada pela professora, que mostra ser uma pessoa completamente diferente das outras com quem Melanie está acostumada a conviver, como a Dra. Caldwell, o sargento Parks, os outros professores e os soldados. Helen Justineau não consegue evitar sentir afeto por seus alunos, e ainda mais por Melanie, o que ela sabe que pode implicar em inúmeros problemas, pois, em regra, essas crianças não deveriam ser dignas de nenhuma espécie de sentimento positivo.
               A trama se desenrola de maneira totalmente imprevisível; quando você pensa que as coisas vão acontecer de um jeito, acontecem de outra maneira completamente diferente e isso é muito legal, mas o melhor dessa história é a abordagem que é feita sobre aceitação, companheirismo, lealdade, integridade, amizade e até amor. Não é nada usual, nem nada que te faça se sentir preso por esses sentimentos, mas há nuances perceptíveis da existência deles nas atitudes dos personagens e é muito interessante perceber como a humanidade se adapta e se desenvolve diante de situações adversas e diversas.
               Melanie é uma garotinha inocente, mas extremamente inteligente; ela é encantada com a história mitológica de Pandora, mas ela é também algo mais... Por que os soldados a temem? Por que o sargento Parks é tão hostil com ela? Por que seus coleguinhas de classe andam sumindo? São tantas perguntas sem respostas, até que Melanie se encontra numa encruzilhada. Mas ao mesmo tempo em que isso acontece, outro acontecimento exterior estoura e mostra a bifurcação da realidade em que eles vivem.



               A Melanie é minha personagem preferida, é claro, ela é tão adorável e inteligente, tão altruísta e possui uma série de raras qualidades, ainda mais levando-se em conta tudo que ela passou. Eu gosto muito da personagem de Helen Justineau, mas gosto muito também do sargento Parks (me julgueeeeeeeeeeem à vontade!), mesmo que ele seja meio esquisito, sei lá, eu senti empatia por ele desde um pouco depois do começo e não me arrependi depois.  
               Achei que M.R. Carey contou a história de maneira brilhante, e mesmo não sendo o tipo de livro que eu prefiro, eu gostei bastante de “A menina que tinha dons” e fiquei por horas a fio pensando naquele final, ainda que o tenha considerado extremamente coerente e plausível. Acho que a coisa mais “chata” sobre o final do livro é que inevitavelmente nos deixa curiosos e ansiosos por saber mais de como tudo ficou no fim das contas, mas ainda assim, acho que Mike Carey não pecou em nada. A história é bem amarrada, e o fato de a gente querer saber mais só mostra como ele realmente é bom no que faz.
               Espero que vocês leiam o livro e possam formar sua própria opinião, mas aviso desde já para quem não tá acostumado com leitura de thrillers e não gosta da temática de zumbis e/ou canibalismo, prepare o estômago (risos) ou não leia! Eu que não suporto The Walking Dead e perdi o interesse por Guerra Mundial Z nos primeiros minutos, tenho que dar os créditos à M.R. Carey por ter mantido a história num ritmo tão bom e interessante que me levou à leitura até o final.

Booktrailer oficial do livro:



Fica a dica! ;)

Resumo oficial:
“Cultuado autor de quadrinhos e roteiros da Marvel e da DC Comics, entre eles algumas das mais elogiadas histórias de X-Men e O Quarteto Fantástico, o britânico M. R. Carey apresenta uma trama original e emocionante em sua estreia como romancista com A menina que tinha dons, lançamento do selo Fábrica231. Aclamado pela crítica, o livro se tornou um best-seller imediato na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos ao contar a história de Melanie, uma menina superdotada que faz parte de um grupo de crianças portadoras de um vírus que se espalhou pela Terra e que são a única esperança de reverter os efeitos dessa terrível praga sobre a humanidade. Uma comovente história sobre amor, perda e companheirismo encenada num futuro distópico.”











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