Adultecência, por Anamaria Fonsêca
A vida adulta
não é simples. Pelo menos, não como imaginei que seria. A coisa vai muito além
das contas a pagar. É o simples fato de parecer que a vida passa a acontecer em
modo acelerado e você já não tem mais o poder de parar, e é responsável por
aplacar suas próprias dores, medos e angústias. Não importa o quanto te digam
isso quando você é criança, você nunca vai saber como o colo da sua mãe, o
abraço do seu pai ou o aconchego de alguém que é responsável por cuidar de você
pode realmente ser seu melhor refúgio e pode mandar pra longe todos os medos.
Quando você se
torna adulto, isso continua sendo um abrigo, mas às vezes não é mais o
suficiente. Porque você é um adulto, afinal! E você não é mais café-com-leite.
Sopros e beijinhos não saram mais os machucados. Abraço e carinho traz alívio,
mas não resolve mais os problemas. É game
on. Você está por conta própria. E ser adulto é assustador. Eu não
imaginava o quanto. Hoje, pensando em retrospecto, algo não me sai da cabeça:
como eu queria me lembrar da garota-sem-medo.
Eu sei que
além de ser adulto não ser simples, viver nos tempos de hoje para qualquer
pessoa em qualquer fase da vida também não é. Às vezes me sinto sobrecarregada
de informações. Não dá pra julgar ninguém que se diz acometido pelo mal da ansiedade.
Somos todos ansiosos. Não dá pra ser diferente. Estamos condicionados a receber
informações imediatas, a fazer tudo tão rapidamente como num piscar de olhos, a
cumprir expectativas, bater metas, ser “alguém”. Quando tudo fica pesado
demais, que saudade eu sinto de ser “ninguém”. De sentir. De me permitir
sentir. Porque estamos lidando com tanto, e às vezes com tanto desnecessário,
que estamos por um fio – apenas um fio cortado basta para a explosão.
Eu não sou
infeliz. Pelo contrário, me considero feliz. Me sinto grata. Satisfeita. Mas ao
mesmo tempo, estou em ebulição, em modo turbulência; como pode ser isso
possível? Eu não sei. Mas ser um paradoxo é algo que já me acostumei desde
sempre, não há respostas plausíveis para o mistério do meu ser, há apenas uma
maneira de seguir em frente: lidar com isso. E é lidando com isso que eu
percebo que preciso viver melhor. Ser adulto não é simples. Ser adulto no
Século XXI, muito menos. Mas essa é a minha chance, a minha deixa. Eu não quero
que fatores externos me fragilizem a ponto de fazer ruir o que tenho de mais
importante e está dentro de mim: minha capacidade de ser, de realizar, de
sentir, de aproveitar, de experimentar, de viver, de amar, de registrar. Minha
capacidade de desfrutar do hoje, sem deixar que o medo do amanhã me impeça de
alcançá-lo.
Quando eu
levantei nessa madrugada, acordada pelas palavras que ecoavam na minha mente,
eu não tinha ideia do que viria por aí. Mas, bem, parece ser só mais um
recadinho de Deus plantado do meu inconsciente: “siga em frente!”. A única
pessoa capaz de verdadeiramente me derrotar está em frente a mim no espelho. O
dizer sobre “seu maior inimigo é você mesmo”, nunca foi tão real. Apenas o que
te toca pode te destruir. Há maneiras melhores de viver desde o início dos
tempos: é não fugir dos problemas, é não se assombrar por eles, é entrar no
meio da tormenta e deixá-la fazê-lo mais forte, torná-lo capaz de sentir o
momento ao invés de se apavorar por ele.
Ser adulto é
ter consciência de que por mais amor que se tenha na vida, a grande maioria das
coisas a ser feitas para você e em você só podem ser feitas por você mesmo. E
só você pode escolher se será seu herói ou sua destruição. Eu escolho ser. E
por ser, eu quero mais da vida, mesmo enquanto ela me rasga em miúdos pedaços,
eu sei que posso me refazer. Eu fui feita de um sopro, só preciso me lembrar de
como é me levantar para conseguir caminhar.
Anamaria Fonsêca.

Me identifiquei TOTALMENTE! Deve ser a crise dos 25! (Apesar de eu já estar nos 26 rs) :Toinho
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